Peçanha, uma cidade de gente do bem, também é feita das histórias de homens e mulheres que dedicaram parte de suas vidas ao trabalho, à família e ao desenvolvimento do município. São personagens que, muitas vezes longe dos grandes registros oficiais, ajudaram a construir aquilo que Peçanha é hoje. Entre essas figuras está o senhor Neri Passos, filho desta terra, conhecido não apenas em Peçanha, mas em toda a região.
Com uma trajetória marcada pelo serviço público, pelo empreendedorismo, pela atividade no setor de trânsito e pela convivência direta com diferentes gerações, Neri Passos carrega na memória histórias de uma Peçanha que mudou muito ao longo dos anos, mas que deixou lembranças que permanecem vivas.
Sua história também é marcada por uma conduta que, segundo pessoas que o conheceram ao longo dos anos, sempre foi pautada pelo respeito. Ao lado da esposa e da família, construiu uma trajetória que o tornou uma personalidade conhecida e respeitada por todos.
Da Polícia Militar ao serviço de trânsito
Neri Passos relembra que uma das primeiras etapas importantes de sua vida profissional foi na Polícia Militar. Ele trabalhou durante nove anos na corporação, em uma época em que a estrutura do trânsito era muito diferente da atual.
Segundo ele, naquele período, o setor de trânsito ainda pertencia à Polícia Militar, pois Peçanha ainda não contava com agentes civis responsáveis pelo serviço.

Entre as autoridades que fizeram parte daquela época, Neri recorda do Tenente Dilamar Moreira, que também atuava como delegado. Ele lembra ainda que o pai do Tenente Dilamar era Capitão.
As recordações não ficam apenas em Peçanha. Neri conta que, em determinada ocasião, participou da recepção ao governador da época, na cidade de Pedra Azul, durante a inauguração do asfalto da BR-116, em uma época em que a chegada da pavimentação representava um importante avanço para a região.
Depois de sua passagem pela Polícia Militar, Neri passou por outras atividades profissionais. Começou a trabalhar com restaurante e, posteriormente, sua história ficaria fortemente ligada ao tradicional “Galo de Ouro”.
“Galo de Ouro”: uma época em que Peçanha recebia toda a região
Para quem viveu em Peçanha entre as décadas de 1980 e início dos anos 2000, o nome Galo de Ouro traz uma série de lembranças. Este nome foi dado pelo senhor Batica e também o Zé Guarani , moradores de Peçanha e muito assíduos do estabelecimento.
Neri Passos esteve à frente do estabelecimento, que funcionava na Praça Getúlio Vargas, número 38, endereço que ficou marcado na memória de muitos moradores.
“Os bailes funcionavam sábado e domingo e movimentavam Peçanha e outras cidades vizinhas”, relembra Neri.
O movimento era tão grande que as praças da cidade ficavam tomadas por cavalos, enquanto pessoas de diferentes localidades chegavam para participar das festas.
Era uma época em que a vida social tinha outro ritmo. As pessoas se deslocavam para a cidade em busca de diversão, música e encontros.
Neri conta que o Galo de Ouro abria por volta das 22:00 horas,e chegava a funcionar até às 6:00 horas da manhã.
Mas, em algumas ocasiões, a festa ia ainda mais longe.
A lembrança revela a dimensão que aqueles eventos tinham para a região.
Já na rua Tiradentes logo ao lado existia o “Quenta Sol”, outro espaço conhecido naquele período, que também fazia parte da vida noturna da cidade. Porém, como encerrava suas atividades mais cedo, muitos frequentadores seguiam depois para o Galo de Ouro.
Uma época em que o respeito tinha outro peso
Entre as lembranças mais curiosas de Neri Passos, está a maneira como os conflitos eram tratados durante os bailes, caso viessem a acontecer.
Em algumas vezes intrigas aconteciam, como em qualquer ambiente onde havia grande concentração de pessoas. Mas, segundo sua memória, existia uma cultura de respeito que ajudava a manter a ordem.
“Algumas intrigas eram resolvidas aqui mesmo. O povo respeitava. Quem vinha, vinha para divertir.”
Neri vai além ao lembrar que, durante o período em que esteve à frente do estabelecimento, praticamente não precisava recorrer à Polícia para solucionar problemas.
“Eu nunca liguei para a Polícia. Tudo era resolvido aqui mesmo, pelo respeito.”
A frase resume uma característica que ele considera marcante daquela geração: a capacidade de resolver muitas situações por meio da conversa, da autoridade moral e do respeito entre as pessoas.
42 anos ligados ao trânsito
Se o Galo de Ouro marcou a vida social de Peçanha, o trabalho como despachante marcou profundamente sua trajetória profissional.
São 42 anos atuando como despachante, período em que Neri acompanhou e segue acompanhando de perto as transformações do setor de trânsito.
Naquele tempo, Peçanha tinha uma importância regional ainda maior nesse serviço. Segundo Neri, veículos de diversas cidades da região eram emplacados em Peçanha.
A atividade fazia com que pessoas de diferentes municípios procurassem a cidade, movimentando o comércio e fortalecendo a posição de Peçanha como referência regional.
Neri também recorda que o delegado responsável pelo trânsito naquela época teria concentrado os serviços em Peçanha por meio de sua atuação como despachante.
Assim, seu trabalho acabou ultrapassando os limites do município e alcançando praticamente toda a região. “Vale lembrar que toda essa atuação também se dava pelo compromisso e credibilidade dos serviços prestados pelo Senhor Neri Passos.”
Um homem, muitas histórias
Ao ouvir Neri Passos, é possível perceber que sua trajetória não pode ser contada por apenas uma atividade profissional.
Há o homem que vestiu a farda da Polícia Militar. Há o profissional que passou a trabalhar com o trânsito. Há o empreendedor que esteve à frente do Galo de Ouro. Há o pai de família e, sobretudo, há o cidadão que acompanhou de perto várias fases da história de Peçanha.
Sua memória é também um registro de uma cidade que já teve ruas, praças e estabelecimentos movimentados por pessoas vindas de toda a região.
Uma Peçanha onde os bailes começavam à noite e terminavam pela manhã. Onde cavalos ocupavam as praças enquanto os visitantes chegavam para as festas. Onde o trânsito regional passava pelas mãos de profissionais que conheciam pessoalmente grande parte da população.
São histórias que não estão apenas nos livros. Estão na memória daqueles que viveram.
A memória de quem ajudou a construir Peçanha
Contar a história de Neri Passos é, de certa maneira, contar uma parte da história de Peçanha.
O município de hoje é resultado do trabalho de muitas pessoas que vieram antes, enfrentaram desafios, abriram seus negócios, trabalharam no serviço público, formaram suas famílias e contribuíram, cada uma à sua maneira, para o desenvolvimento da cidade.
Neri Passos é um desses personagens.
Sua história atravessa diferentes períodos e mostra como uma mesma pessoa pode participar de momentos distintos da transformação de um município.
Da Polícia Militar ao trânsito, do comércio aos tradicionais bailes do Galo de Ouro, Neri guarda na memória episódios de uma Peçanha que talvez muitos jovens de hoje sequer consigam imaginar.
E talvez seja justamente por isso que essas histórias precisam ser contadas.
Porque uma cidade não é feita apenas de prédios, ruas, obras e números.
Uma cidade é feita de pessoas.
E quando essas pessoas contam suas histórias, ajudam a preservar a memória de um povo.
Neri Passos é parte dessa memória. É parte da história de Peçanha.
Aaa .. e por falar nisso na mesma rua, no mesmo local, porém hoje mais moderno, continuam o restaurante Passos com o tempero de sempre, e ao lado, o escritório de Despachante do Senhor Neri Passos, que continua com sorriso largo e toda educação para bater aquele papo saudável. Continua também,emplacando e resolvendo serviços do ramo e lá está, mais jovem do que nunca, o Senhor Neri Passos, trabalhando ao lado de seu irmão Mário, e o Filho Charles, que seguem sua profissão de despachante. Também no Restaurante passos,sua esposa Maria e o filho Fabinho que tocam os negócios da família. Já as duas filhas, Poliana e Carolina, seguem em outras profissões, mas a família sempre permanece unida.
