
Aquele momento tinha um significado ainda maior. Depois de muitos anos sem acontecer, a Festa do Peão de Peçanha voltava ao cenário do município, reacendendo tradições, memórias e o sentimento de pertencimento de toda a população.
Quando as luzes começaram a cortar a escuridão e os primeiros acordes ecoaram, Eduardo Costa surgiu no palco, e ali se desenhava uma noite destinada a virar memória coletiva. Não era apenas um show — era um encontro de histórias, de gente que veio de perto e de longe, de olhares curiosos e corações acelerados.

As imagens guardadas até hoje contam o que as palavras mal conseguem explicar. O parque, acostumado a grandes eventos, parecia pequeno diante da imensidão de pessoas. A cada canção, mais vozes se juntavam, formando um coro que atravessava a noite.
E a movimentação começou muito antes dos portões. No horário de pico, entre 21h e 23h, o trânsito simplesmente parou no trecho que liga Cantagalo a Peçanha. Formou-se uma longa fila de carros, e muitos, ao se aproximarem da entrada da cidade, preferiam descer e seguir a pé, subindo em direção ao parque.
Já no campo de aviação, a cena era de impressionar. Visitantes que vinham no sentido de Governador Valadares, Coroaci e cidades adjacentes deixavam os veículos onde encontravam espaço e continuavam o trajeto caminhando, todos guiados pela mesma direção e pelo mesmo entusiasmo.

Os bombeiros civis e a equipe de segurança se desdobravam para manter tudo sob controle, mas a verdade é que o povo já não cabia mais. Havia gente por todos os lados, ocupando cada espaço possível — até as lajes dos bares viraram camarotes improvisados, de onde se via um mar de gente iluminado por luzes e emoção.
E quem esteve ali sabe: não foi só a música que marcou aquela noite. Foi também o sentimento de retomada, de ver uma tradição voltar a pulsar no coração da cidade.
De lá pra cá, a festa só cresceu e se consolidou como um verdadeiro ícone cultural do município. Nos próximos textos, vamos revisitar essa trajetória com imagens que contam essa história, ano a ano, de 2018 a 2025.
Porque certas noites não terminam — elas apenas se transformam em histórias contadas, recontadas e guardadas no coração de um povo inteiro.
