Está em choque, não acredita no que ocorreu’, diz tia sobre menina que perdeu mãe e irmã em queda
De um lado, um caixão de tamanho adulto, cercado por flores e velas; de outro, uma pequena urna branca ornamentada com pelúcias gigantes e tecidos que simulam nuvens. Os corpos, dispostos lado a lado, são de mãe e filha, que morreram após caírem do 10º andar de um hotel no Centro de Belo Horizonte, na tarde dessa segunda-feira (1º/12). A cena, que mistura a inocência infantil com a morte precoce de uma mulher, carrega ainda outra dor: a de uma adolescente de 13 anos. Ela também era filha da mulher, de 32 anos, que morreu nessa segunda. Desesperada, a menina se despede, nesta terça-feira (2/12), da mãe e da irmã, de 6 anos. O velório ocorreu em um cemitério de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O sepultamento está marcado para o início da tarde.
“Minha sobrinha está muito abalada; parece que não quer acreditar no que aconteceu. Está em choque”, relatou Mariana Gonçalves Coelho, irmã da mulher e tia da menina de 6 anos. A adolescente de 13 anos estava no quarto do hotel quando tudo aconteceu. “Graças a Deus ela não viu nada. Saiu correndo para chamar ajuda”, contou. Na cerimônia de despedida, a adolescente, preservada pela família, estava muito emocionada.
Foi ela quem prestou depoimento sobre o ocorrido: segundo a menina, a mãe teria dopado a irmã mais nova, a jogado pela janela e, antes de pular, oferecido três opções à filha mais velha. “Pula também, vá morar com a sua avó ou vá para o Espírito Santo”, disse a adolescente à Polícia Militar. As meninas eram irmãs por parte de mãe. O pai da mais velha mora no Espírito Santo; o da menor já morreu. Atualmente, a mulher era casada.
O caixão da mãe não foi aberto por decisão da família. Amigos e parentes se despediram dela fazendo carinho em uma foto colocada sobre o caixão de madeira.

A mulher de 32 anos enfrentava um quadro de depressão havia mais de cinco anos, período em que as duas filhas teriam sido vítimas de abuso sexual cometido por um adolescente de 15 anos, em 2020. Segundo a relações públicas Sheila Brandão, de 53 anos, amiga íntima da família, tudo começou após o crime.
“Depois disso, houve uma mudança de comportamento nela. Ela trabalhava como auxiliar de serviços gerais em um posto de saúde, e os médicos perceberam que ela estava doente e receitaram medicação. Mas, há cerca de um ano, ela abandonou o tratamento, e isso aconteceu”, disse. Ainda segundo a amiga, a mulher tinha surtos psicológicos frequentes e, recentemente, havia começado o uso abusivo de bebidas alcoólicas. “As pessoas acham que foi crueldade pura, mas ela estava doente. Não estava acamada, mas estava doente”, completou.
